Porque nao???

Ciro, este eh um dos textos que postamos no site (elaborado pelo Fernando Quirino) do SOLOMAN/2003 em LIMEIRA...neste texto eu escrevi como tinha sido meu SOLOMAN/1997 la no HAWAII. Eu e o Fernando Quirino estavamos "frustrados" (putos da vida mesmo) com o preco absurdo que estava sendo cobrado no IRONMAN de Florianopolis e resolvemos o problema de uma forma bem simples...SOLOMAN no quintal de casa...

Porque nao???
Bem, fiz meu primeiro Ironman e descobri que não era tão bom assim para conseguir a tão desejada vaga para o Hawaii, mas foi ai que lembrei de minha querida avó... 

Ela sempre me dizia: 

"Se você corre uma maratona, então você consegue fazer qualquer coisa". O que diria ela se soubesse que conquistei o percurso utilizado para um dos mais importantes eventos de resistência humana do mundo: o IRONMAN do HAWAII. 

Não sou ainda um Ironman oficial, meu SOLOMAN aconteceu na sexta-feira, um dia antes do evento oficial que teve 1500 atletas competindo na 21ª edição da competição, que foi em 1997. 

Às sete horas em ponto com uma temperatura de 40ºC, eu estava dando minhas primeiras braçadas saindo da pequena praia que ali existe ao lado do píer no vilarejo de Kailua Kona, chamada de "Dig Me Beach". Nos dias que antecedem a competição, o percurso da natação já fica demarcado com bóias que são substituídas por outras muito maiores e mais próximas, alinhadas umas às outras, conseqüentemente, devo ter nadado mais do que os 3,8 Km. 

Uma hora e vinte e seis minutos depois, estou eu saindo das águas límpidas e mornas do Oceano Pacífico para uma ducha em um banheiro publico que existe ali, o qual utilizei para fazer minha transição que durou em torno de 10 minutos. Existem uns suportes (iguais aos utilizados nas provas de Santos) nos quais você pode deixar a bicicleta enquanto está nadando nos dias que antecedem a prova (detalhe... ninguém rouba as bikes que são deixadas ali) e a minha ficou ali com, nada mais nada menos, sete, isso mesmo, sete caramanholas (garrafinhas d' água), e mais quatro Power bars divididas em pedaços grudados no quadro da bicicleta. Tudo isso para a próxima etapa, os 180 Km de pedal até Hawi e a volta até o Hotel Kona Surf. 

Com um "pit stop" numa lanchonete em Hawi para comprar mais água, isotônicos e sanduíches, percebi que minha meta ali não era quebrar nenhum recorde e sim terminar meu SOLOMAN. Nesta lanchonete em Hawi deixei com a moça que me atendeu, meu anel de Ironman de prata, que tinha ganhado de minha irmã um ano antes, e disse a ela que voltaria para buscá-lo, quem sabe no meu segundo SOLOMAN. A volta foi terrível, o vento naquele ano foi considerado um dos piores de todos os tempos. Soprando mais de 100 Km por hora em meu rosto cheguei a pensar em parar ali mesmo, foi ai que comecei a refletir no quanto tinha treinado para estar ali e de qualquer forma teria que pedalar até o hotel. 
Então, quando me dei conta já havia posto tais pensamentos para trás. Neste ano meu amigo Márcio de Luca estava hospedado no Hotel Kona Surf, onde fica a segunda transição, e onde eu deixaria minha bicicleta. Seria lá também onde eu tinha combinado com um outro amigo, o Mauro Godinho para levar todo meu equipamento para correr os 42,195 Km da maratona. 

Chegando ao hotel tomei uma ducha, pois o "circo" já fica todo montado na véspera, e quando cheguei à recepção para deixar minha bicicleta e pegar minhas roupas com o Mauro, não encontrei ninguém! Comecei a ficar desesperado, pois tanto esforço até aquele momento teria sido em vão caso não tivesse meus equipamentos. Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo, foram longos vinte e cinco minutos andando para cima e para baixo dentro do hotel, que é enorme, chacoalhando a cabeça e dizendo palavras que deixariam minha avózinha envergonhada! De repente surge ele, Maurão, do nada ... Vim a descobrir mais tarde que ele estava tirando uma soneca atrás de uma tenda. As primeiras palavras que vieram à minha boca foram: "É melhor você dizer que não estava na Exposição dos Patrocinadores" (que por sinal é excelente). Percebi que não adiantaria discutir com ele ali naquela hora e deixei para trás o ocorrido. Peguei minhas coisas e, num banheiro do hotel, fiz minha segunda transição. Comecei minha maratona e dei conta que aquela situação daria histórias maravilhosas para serem compartilhadas. Fiz meu segundo "pit stop" para comprar água, powerbar, isotônico e um sanduíche de atum, que comi ali mesmo num 7-Eleven (loja de conveniências) antes de pegar a Queen Kaahumanu (Queen K), pista que leva até o Energy Lab, onde é o retorno da corrida. 

Estava me sentindo bem no decorrer da maratona e pude assistir o pôr do sol, que me fez chorar sozinho ali naquela ilha, no meio do nada, tendo o Oceano Pacífico ao meu lado esquerdo e lava vulcânica ao meu lado direito. 

Quando entrei no Energy Lab, já era noite e tive que correr até o retorno da corrida sem visão nenhuma, apenas as luzes de um banheiro público que existia ali, onde pude abastecer de água minha garrafinha. Quando retornei à Queen K, tive a mesma sensação das pessoas que por ali correram com seus números nas camisetas. 

Não tive a torcida das pessoas que ficam no acostamento da rodovia aplaudindo os atletas no grande dia, mas tinha a torcida dos amigos que me ajudaram a chegar lá que era o que realmente importava), e ali eu já sabia que meu "sonho" estava próximo de se realizar. Para minha surpresa, estava ali no acostamento um ponto branco que, ao chegar mais perto, vi que era um "presente" do Mauro... Uma caramanhola com água ... Valeu Maurão!!! 

Quando eu estava na Alii Drive para cruzar a linha de chegada, os triatletas brasileiros estavam saindo da "carbo-dinner", que é o nosso jantar de massas. Tive o prazer de ser aplaudido por atletas que eu tenho muito respeito por terem feito as mesmas distâncias que eu acabara de percorrer. Eram eles: Nelma Guimarães, Romualdo Kubiack, José Renato Borges (Mosquito), Luiz Carlos Ribeiro (Velhinho), Alessandro Muknicka, Armando Barcellos, dentre outros. Completei meu SOLOMAN em 13 horas 45 minutos e 48 segundos, nada mal para um dia longo de treino e diversão, que foi o que pareceu para mim naquela época. 

Completar um IRONMAN requer muito tempo, não só no dia da prova, mas toda uma dedicação de treinamento, alimentação e disciplina que envolve esses três esportes. Só nos dias de hoje tenho tido a real perspectiva do que realizei lá no Hawaii em 1997. Hoje minha avó diria: “Se você corre um SOLOMAN, então você consegue fazer qualquer coisa”. E é o que estamos fazendo... A idéia é: por que pagar a uma corporação US$ 407,00 (somente a inscrição do Hawaii), quando as ruas são livres? Moro em Limeira, cidade situada a 150 Kms de São Paulo, tenho OITO amigos triatletas limeirenses que já completaram a distância de um IRONMAN, sendo que um deles já tem uma medalha de FINISHER do Hawaii, e outros que gostariam de tentar buscar a sua na nossa única seletiva que é em Florianópolis... Mas nos deparamos, digo eu e o Fernando, que ainda não é um IRONMAN, com um problema que acredito que tenha feito muitos triatletas pensarem se vale ou não a pena tanto investimento, e não é só de dinheiro não, acrescente tempo, manutenção de bicicleta, tênis para corrida, roupas, horas de sono perdidas, horas longe da família, custos da viagem, hospedagem e alimentação, etc... Resolvido esses pormenores... 

 Organizaremos um SOLOMAN aqui no "quintal de casa". Surgiu assim o 1º SOLOMAN, que daqui por diante manteremos vocês informados do que irá acontecer no dia 24 de Maio de 2003. Isso mesmo ...é esta data mesmo... nada contra quem pode pagar tudo aquilo para uma corporação... mas fica aqui um pedido... nós não precisamos elitizar tanto o nosso esporte... divida seus sonhos... reúna seus amigos e faça o que tem de ser feito... um IRONMAN.

Marcelo Vallim

12 comentários:

Xampa disse...

Essa historia é sensacional !!!
Quem sabe um dia?

Beto Nitrini disse...

SENSACIONAL!

Ricardo Hoffmann disse...

De fato, um história fantástica! Conversando com o Quirino, peguei inspiração para um 1/2 Soloman em minha terra, interior do RJ. Vai sair tb!!

Max disse...

Esse é o Espírito da Coisa.

Marlus disse...

U$$ 700,00 na inscrição do Ironman Brasil 2013 vai acabar inspirando muita gente a começar a fazer o SOLOMAN

Xampa disse...

Marlus, 700 doletas? Caracoles !

Hugo Leonardo disse...

ja' estamos organizando o Nosso SOLOMAN BRASIl 2013...

Beto Nitrini disse...

Soloman 2013, eu fecho se rolar um meiosoloman! Seria fantástico juntar a galera para algo assim!

Nilza Dias Bassanello disse...

Amei!!! A vida e uma aventura! Vale a pena!! Minha grande frustração foi ter começado a treinar muito tarde e para ajudar fraturei o fêmur. Torço por tidos aqueles que amam eercicios( principalmente byke,natacao e corrida). Aqui praticando o Pilates ( e o que me ajuga a andar sem mancar) ,estou vibrando por todos, mas nao nego, torch Mai's para o Vallim. Bjs boa prova!!,

Henrique disse...

Show!!!

MarcusLopes disse...

Sensacional!!!!Parabéns pela sua trajetória vencedora.

Hugo Leonardo disse...

Orgulho de fazer parte disso.... Valeu Vallim..